sábado, 19 de fevereiro de 2011

O Diário de um Artista

Diário de Aladan Summers, 19 de Fevereiro de 2011, Ravnica.

Sempre achei o hábito de escrever em um diário meio infantil. Adolescentes que morrem de amores por algum rapaz são quem mantém uma coisa dessas, mas meu médico Simic recomendou e só por isso estou a redigir. Ah, eu lembro que minha esposa costumava escrever contos de amor e aventura, ela dizia que seria bom ler todos eles para os nossos futuros filhos. Suzana morreu em um acidente na Liça da Cabala mês passado.

Hoje acordei como os outros dias desde o acidente: exausto, deprimido e sem vontade de fazer nada a não ser chorar na cama. Não entendo como aquele tratamento pode me ajudar. Eu não sinto fome, a única coisa que sobrou foi o vazio. Um vazio dentro de mim que apenas quer sugar tudo o que restou de minha alma. Se é que restou algo.
Minha vida era Suzana, sem ela eu realmente não sei se posso continuar vivendo. Dizem que quando estamos tristes é que os artistas interiores se revelam, sendo a morte uma grande fonte de inspiração. Mentira.

Nosso... Meu apartamento era grande e espaçoso, além de servir como moradia, ele também era meu ateliê. Ficava localizado em um prédio residencial de classe média próximo a grande represa, um ótimo bairro para se viver. As ruas eram abarrotadas de casarões e prédios antigos, um espetáculo para os amantes da arte moderna.
Dentro de minha sala, manchas e latas de tinta de todas as cores se espalhavam pelo chão e pelas paredes, telas de todos os tamanhos carregavam a minha inspiração em diversas formas. Até sujeira também era minha companheira.

Lembro que Suzana tinha mania de limpeza, ela sempre reclamava... Eu não vou mais ficar negando o que aconteceu, não há como esquecer. Contarei tudo, pois a culpa não me deixa em paz.
Naquele maldito dia, ela iria sair para fazer uma surpresa para mim, porém tivemos uma briga feia e não estávamos nos falando há algumas horas. Eu estava na sala, como sempre, com as mãos sujas de tinta em frente a uma de minhas telas tentando finalizá-la, quando Suzana apareceu.
“Aladan, me dê as chaves do celeiro.”, sua voz estava autoritária e sua mão estendida para mim, enquanto um raio de sol refletia em seus cabelos negros e fazia brilhar seus olhos azuis. Ela ficava linda com raiva, mas naquele dia eu podia sentir que ela estava magoada. Suzana havia pedido para que eu me livrasse de todo o lixo que se acumulava em nosso apartamento. Disse que faria mal a saúde.

“Saúde de quem? Nós moramos nesse apartamento há três anos e nunca tivemos um problema por causa da tinta!”, eu estava de cabeça quente, pois meu prazo de entrega do quadro estava se esgotando.
“Isso não importa, pessoas novas que chegarem por aqui podem passar mal com esse cheiro e toda essa química. Até nosso quarto está infestado!”
“Só diz isso por que comeu alguma coisa tóxica e está vomitando de vez em quando. Seu enjôo não é problema meu. Saia do apartamento se não estiver à vontade e me deixe em paz!”, eu não estava pensando naquele dia, mas mesmo sabendo que a carroça precisava de uns reparos, entreguei a chave do celeiro para ela. Foi o pior erro que eu já cometi em toda minha vida.

20 de Fevereiro de 2011, Ravnica.
Essa coisa de diário até que é interessante. Não posso dizer que estou me sentindo bem, mas acho que melhorei um pouco escrevendo sobre o que houve. Mas pensar que eu poderia ter evitado aquilo se tivesse sido mais gentil e não apenas pensando em mim mesmo... Perdi meu grande amor, o sabor de viver e o de pintar, mas talvez escrevendo possa desabafar por enquanto.





21 de Fevereiro de 2011, Ravnica



Hoje eu não saí de casa para nada. Um forte temporal caiu sobre Ravnica e apenas fiquei olhando da janela a paisagem cinza e triste que era essa cidade desolada. O vento frio podia não chegar até mim, mas eu pude senti-lo através do vidro de minha janela. Aquela sensação me lembrou de como estou sozinho e o quanto era quente estar nos braços de Suzana.
Eu nunca sentiria novamente o calor que o corpo dela emanava por dentro, não ouviria mais a voz sedosa de cantora que ela tinha e nem veria aqueles finos lábios vermelhos se abrindo em um sorriso brilhante. Minha linda esposa havia dormido para sempre, e um beijo de seu eterno amor não poderia acordá-la.
Comecei a empurrar meu próprio corpo para o vidro da janela, para que eu por inteiro sentisse o frio da solidão. De repente bateram na porta. Corri atravessando o ateliê/sala e abri a porta, como se estivesse esperando ver Suzana do outro lado.
“Senhor Aladan?” uma voz grossa perguntou.
“Sim, sou eu. Quem é você?” respondi desanimado.
“Sou o secretario do senhor Niv-Mizzet. O prazo final se acabou e quero comunicá-lo que o pedido foi cancelado. ” O homem virou as costas e saiu. Já era o terceiro quadro que perdia esse mês. Mas eu não estava me importando. São apenas imagens. Não há mais nada de mágico na arte sem Suzana.
Como não estava com fome, tentei pintar algo, em vão. O prazer tinha mesmo desaparecido. Apenas formas sem vida brotavam na brancura das telas. Eu apenas corrompia a pureza do branco.
Entrei no nosso… Meu quarto para procurar algo que me desse uma lembrança feliz e nítida de Suzana, com a intenção de encontrar uma foto dela sorrindo ou algum de seus contos. Enquanto vasculhava suas gavetas, encontrei um envelope com o emblema de um laboratório e o nome de Suzana escrito nele. Quando abri e comecei a ler vi que era um exame de sangue e o resultado de um teste de gravidez.
Positivo.
Desesperei-me e caí em prantos. Um lago de lagrimas descia de meu rosto enquanto eu arrancava cabelos de minha cabeça. Caí no chão, e lá fiquei por várias horas chorando, me contorcendo de dor. Em breve seria pai e não sabia.
Suzana estava enjoada alguns dias antes de falecer. Ela foi fazer exames de sangue para saber se tinha algo errado com ela e o resultado tinha chegado no dia anterior a sua morte. Como eu estava ocupado de mais com a pintura, tinha me esquecido de perguntar. Pessoas novas… Ela apenas pensava na saúde de nosso futuro filho…
Não consigo mais escrever


23 de Fevereiro de 2011, Ravnica
Hoje andei pela cidade até a noite cair, tentando fazer uma caminhada e ver se esquecia o meu sofrimento. Isso foi recomendado pelo meu médico. As ruas estavam apenas mais cheias do que antes, mas me sentia sozinho no meio da multidão. Eu era um assassino. Matei minha mulher e meu filho. Como isso pôde acontecer justo comigo?


24 de Fevereiro, à noite, Ravnica. – Ontem depois de escrever um pouco e tentando afogar meu desespero, peguei meu cavalo e fui ao Jean Lafitte’s, um bar que fica do outro lado da cidade, no grand gold, pequeno e antigo bairro de Ravnica. Não olhei direito para a entrada e nem para as pessoas no bar, fui direto ao garçom e pedi varias doses de Run.

Não lembro direito o que aconteceu lá, pois me embriaguei rapidamente, mas recordo-me de ter conversado com um homem estranho. Desmaiei após algumas doses posteriores em algum ponto da conversa. Porém, um fato curioso aconteceu: eu acordei hoje à tarde jogado em minha cama, no meu apartamento.
Levantei-me e senti a dor de cabeça chegar como uma pancada. Eu estava tonto, me sentindo sonolento, minha visão estava turva e mal conseguia manter-me em pé. Essa foi a pior ressaca que eu já tive em toda minha vida. Dirigi-me à cozinha e preparei um café bem forte para mim, o que me fez melhorar um pouco.
Dei uma passada no banheiro para fazer as necessidades, escovar os dentes, tomar um banho para depois talvez ler o jornal, pintar ou fazer qualquer coisa. Quando me olhei no espelho do banheiro, vi que meu rosto estava pálido que nem uma folha de papel, e olheiras que me cercavam os olhos. Eu estava parecendo um bêbado mesmo, minha aparência estava horrível e minha barba por fazer não ajudava em nada.
Fiz o que tinha que fazer no banheiro e caí no sofá. Minha garganta estava muito seca e eu estava muito cansado. Resolvi descansar um pouco.





25 de Fevereiro de 2011, Ravnica
Eu quase não dormi noite passada. Logo após terminar de escrever, fiz um sanduíche e fui para o meu quarto. Quando entrei, percebi que a porta do closet de Suzana estava aberta, mas eu não o abria fazia meses. Suzana tinha a mania de comprar muitas roupas, por isso ele tinha aproximadamente uns nove metros de comprimento interno. Achei estranho e então o fechei. Ao deitar na minha cama, dei uma boa olhada no quarto e averigüei que estava uma bagunça: livros jogados em cima das mesas, papéis arremessados no chão e roupas no pé da cama. Não me importei, joguei o que estava em cima da cama no chão e me deitei.
Depois de comer o sanduíche, apaguei a única luz da vela e fiquei apenas olhando para o teto, pensando em Suzana. Quando comecei a adormecer, ouvi um barulho característico de madeira caindo na sala e logo deduzi que uma de minhas telas havia sido derrubada. Fui ver se tinha algum gato vagabundo rondando meu apartamento, mas não encontrei nada além de um quadro jogado no chão.
Voltei para meu quarto, mas então senti uma horrível sensação de perigo, como se eu fosse uma zebra que estivesse prestes a ser atacada por um leão faminto. Virei de um lado para o outro olhando cada centímetro do quarto, mas nada havia lá. Fechei a porta e deitei. Porém, toda vez que eu começava a cochilar, a sensação de ser vigiado me atacava, tirando-me violentamente de meu sono e me deixando alerta. Assim foi até alguma hora da madrugada.
Acordei cansado e sonolento hoje e logo depois de terminar de escrever irei até o meu doutor.



26 de Fevereiro de 2011, Ravnica
Conversei com meu médico e ele disse que pode ser algum tipo de depressão pós-traumática. Eu me acalmei um pouco e tentei dormir de novo. Mas tive novamente problemas e resolvi tomar um remédio que ele me receitou.
Acordei no dia seguinte, mas pareceu que eu não tinha dormido nada. E por incrível que pareça, minha ressaca persistiu.
Ontem precisei tomar as pílulas para dormir, mas acordei cansado e ainda estava pior essa manhã: eu não consegui levantar da cama e estava tendo faltas de ar, o que não acontecia desde que eu era um adolescente, pois minha asma havia desaparecido há anos!
À noite, a sensação de ser vigiado não cessava. Parecia que apenas ficava pior. Eu olhava de um lado para o outro do meu apartamento, verificando cada móvel que lá havia e acabei constatando que alguns objetos mudaram de lugar.


27 de Fevereiro de 2011
Hoje, tentei dormir sem o remédio. Não funcionou. Mesmo com a porta trancada, eu sentia que havia alguém comigo lá no quarto. Deitado na cama, não conseguia tirar os olhos do closet de Suzana. Era como se alguém me observasse por entre as frestas da porta de madeira. Abri o closet e vi que não existia nada lá, mas, antes de fechar eu podia jurar ter visto um vestido se mexer.


28 de Fevereiro de 2011
Tem alguma coisa comigo aqui no apartamento. Eu posso senti-lo. Sempre que tento dormir sem remédios não consigo e quando os tomo, eu acordo cada vez mais fraco. Ontem eu fui internado num hospital por causa de uma anemia. Fiz uma transfusão de sangue e melhorei. Ontem pude sair do hospital, mas quando voltei para casa, a sensação de perigo retornou. Consegui dormir sem o remédio por causa de exaustão, mas hoje acordei completamente seco, pior do que estava antes. Suspeito de que algo está se alimentando de mim.



01 de Março de 2011 – Ontem quando acordei de madrugada, vi alguém em pé do lado da minha cama. Um homem alto, pelo que pude enxergar. Estava muito escuro e no momento em que pisquei os olhos o sujeito sumiu.
Não dá. Tentei pedir ajuda, mas ninguém se importou comigo. Todos do prédio acreditam que estou ficando louco pela morte de Suzana. Talvez seja.


02 de Março de 2011 – Vi o homem novamente andando pelo meu ateliê de madrugada enquanto fui beber água. Mas ao atravessar a porta do quarto, novamente ele sumiu. Eu acho que alguém invadiu a minha casa, mas se for isso, por que nada foi roubado ainda?

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Gideon Jura - Planinauta



Sempre que as forças caóticas ameaçam inocentes, Gideon Jura está pronto para entrar na briga. Gideon luta com uma graça e destreza comparável a qualquer guerreiro no campo de batalha, praticando uma obscura arte marcial com sua exclusiva arma, o urumi, um chicote laminado. Embora seja um mago habilidoso, ele prefere entrar pessoalmente na batalha em vez de esconder-se atrás de suas mágicas.

Outrora rival da piromante Chandra Nalaar devido a uma Ordem sagrada, Gideon deixou suas perseguições para trás e agora luta contra a destruição insensata de Zendikar. Lá ele encontra os Eldrazi, um adversário mais letal do que ele poderia imaginar que, após despertar de um longo período de letargia, está pronto para colocar à prova suas habilidades.

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